DEUS É POP: OS JOVENS E A RELIGIOSIDADE

24/04/2010 21:55

Deus é pop sim!!!

jovens e a religiosidade

 

Não é novidade que a presença dos jovens nas igrejas têm crescido surpreendentemente no mundo atual. Uma pesquisa inédita do instituto Bertelsmann Stifung revela que 95% dos jovens brasileiros se dizem religiosos e buscam novas formas de expressar sua fé. O estudo mostra que o jovem brasileiro é o terceiro mais religioso do mundo, atrás apenas dos nigerianos e dos guatemaltecos. Segundo a pesquisa, 95% dos brasileiros entre 18 e 29 anos se dizem religiosos e 65% afirmam que são "profundamente religiosos". Noventa por cento afirmam acreditar em Deus.

Tal processo pode ser chamado de novos movimentos religiosos que esta em alta na atual sociedade. Mas o que são esses movimentos religiosos e quais os seus objetivos? A resposta não é tão simples, muitos pesquisadores acham que os novos movimentos satisfazem necessidades fundamentais do ser humano que não são atendidas pela sociedade civil, tais como: de certezas, de respostas simples a perguntas complicadas e de orientações claras sobre os problemas da vida; de resolver os problemas mais urgentes do cotidiano , como saúde, família e emprego; de harmonizar corpo e alma, de experimentar um clima de entusiasmo que dê a impressão de atingir o divino; de realização pessoal, de buscar quem nos valorize, ajudando-nos a descobrir quem somos de verdade; de transcendência e de uma resposta às questões últimas da existência; de direção espiritual por parte de um chefe carismático, ao qual é oferecida, muitas vezes, devoção total e absoluta; de participar de um grupo que permita intervir nas decisões em todos os níveis e estimule uma devoção total.

Compreender os novos movimentos religiosos não é uma tarefa tão simples, a começar pelo próprio conceito do que é ou não uma religião. Tal movimento podem ser definido como associações religiosas e correntes de espiritualidade surgidas nos dois últimos séculos sobre bases já de religiões, tradições esotéricas, gnósticas ou o pensamento original de seus fundadores. Desenvolveram-se principalmente na Ásia e na América. Seus adeptos mais comuns pertencem ao âmbito juvenil e experimentaram seu momento de crescimento prodigioso nos anos das crises de cultural mundial.

Segundo o professor Silas Guerriero, estamos acostumados a pensar em religião como algo perene, ligado às tradições mais antigas e portadora de uma verdade ancestral que não pode ser modificada ou colocada sob suspeita. Qualquer inovação e surgimento de uma nova religião, principalmente se esta seguir padrões muito diferentes daquilo que consideramos comum, levanta logo uma suspeita de que se trata de algo falso. Pior ainda se essa religião praticar rituais exóticos e converter a nossa juventude. Rapidamente será acusada de enganar as pessoas e fazer lavagem cerebral.

Guerriero destaca que os novos movimentos religiosos causam intensa polêmica em várias localidades. Alguns países europeus chegam a colocar como política de Estado a ação contra as atividades de grupos religiosos, ferindo, até, o pressuposto de liberdade religiosa. Uma grande preocupação é emanada das famílias dos adeptos e convertidos, que sentem que seus filhos foram vítimas de cooptação à força por lideranças inescrupulosas. Inicialmente nos Estados Unidos e depois em países da Europa Ocidental surgiram grupos anti-cultos especializados em "libertar" os membros familiares que teriam sofrido lavagem cerebral.

Esses grupos desenvolveram, inclusive, técnicas de desprogramação cerebral e contam com um forte apoio dos meios de comunicação e da sociedade em geral. No Brasil, o quadro é bastante diferente. Salvo pequenas atuações discriminatórias e até ofensivas, gozamos de uma efetiva aceitação das novas religiões. Poucas foram, inclusive, as ações de familiares contra grupos religiosos que por ventura tivessem cometido algo contra seus filhos.

É preciso buscar subsídios que possam ajudar na compreensão das mudanças em curso no campo religioso brasileiro e, inclusive, na diminuição dos preconceitos e intolerâncias para com essas formas religiosas alternativas. Não temos dúvidas de que o conhecimento sobre o outro, entendido como todo aquele indivíduo ou grupo que partilha de um pensamento diferente do nosso, permite não apenas um convívio mais humano, fundamentado no diálogo, como também um aprendizado sobre nós mesmos.

Discutir as novas religiões exige uma incursão sobre os conceitos de seita e de igreja. Apesar de bastante explorado no campo da sociologia da religião, o termo seita é muitas vezes utilizado, no senso comum, com uma conotação pejorativa, como algo menor do que uma religião. É preciso saber as distinções para não incorrermos no erro do preconceito, bem como é necessário respeitarmos as diversas culturas religiosas presentes em nossa sociedade, pois a diversidade será um dos grande desafios contemporâneo.

Autor: Robson Stigar